Mesmo com a escalada das tensões no Oriente Médio, commodities agrícolas seguem relativamente estáveis, mas risco para custos de produção continua no radar.
Agro monitora petróleo e fertilizantes enquanto mercados apostam em trégua temporária
O agronegócio brasileiro inicia esta quinta-feira acompanhando com atenção os desdobramentos da nova escalada das tensões no Oriente Médio. Embora os mercados financeiros demonstrem certo otimismo, refletido na alta das bolsas internacionais e na queda do petróleo nesta manhã, o setor produtivo sabe que os efeitos de uma crise prolongada podem chegar rapidamente às propriedades rurais.
O principal motivo de preocupação não está necessariamente no preço da soja, do milho ou da carne neste momento, mas nos custos de produção para a próxima safra.
Grande parte dos fertilizantes utilizados no Brasil depende de importações. Além disso, combustíveis, fretes e insumos industriais possuem forte relação com o comportamento do petróleo no mercado internacional.
Fertilizantes seguem como ponto de atenção
Nos últimos anos, produtores brasileiros aprenderam na prática como conflitos internacionais podem afetar diretamente o campo.
A guerra entre Rússia e Ucrânia provocou forte volatilidade no mercado de fertilizantes, elevando custos e aumentando a preocupação com o abastecimento global.
Agora, o foco volta-se para o Golfo Pérsico e para o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e derivados.
Embora o mercado tenha reagido com relativa tranquilidade nesta quinta-feira, analistas alertam que qualquer interrupção prolongada no fluxo marítimo pode provocar novos aumentos nos custos logísticos e energéticos.
Soja e milho acompanham clima e demanda
Enquanto o cenário geopolítico domina as manchetes internacionais, os fundamentos agrícolas continuam determinando os preços das commodities.
No caso da soja, o mercado segue atento ao ritmo das exportações brasileiras e à demanda chinesa.
Já o milho continua sendo influenciado pelo desenvolvimento da segunda safra no Brasil e pelas condições climáticas nos Estados Unidos, principal concorrente do país no mercado global.
A avaliação predominante é que os preços permanecem pressionados por uma oferta relativamente confortável, embora eventos climáticos extremos possam alterar rapidamente esse cenário.
Pecuária observa custos e exportações
Na pecuária, o momento é de atenção aos custos de alimentação e ao comportamento dos mercados importadores.
Especialistas avaliam que o chamado “tarifaço” americano tende a ter impacto limitado sobre as exportações brasileiras de carne bovina, uma vez que os Estados Unidos enfrentam atualmente dificuldades relacionadas à recomposição de seus rebanhos e à redução da oferta interna.
Para o pecuarista, entretanto, a preocupação continua sendo a rentabilidade da atividade, especialmente diante da oscilação dos preços do milho e dos custos operacionais.
Plano Safra e crédito seguem no radar
Além do cenário internacional, produtores acompanham as discussões sobre o próximo Plano Safra.
O aumento dos juros e as restrições de crédito vêm sendo apontados por entidades do setor como desafios importantes para o financiamento da produção agrícola.
A expectativa é que as próximas semanas tragam definições mais claras sobre recursos, taxas e programas de apoio ao campo.
Por enquanto, a palavra de ordem no agro é cautela. O mercado financeiro pode estar demonstrando confiança, mas o produtor rural sabe que crises internacionais costumam chegar primeiro aos custos e só depois aos preços recebidos pela produção.
Mercado Agro às 7h30
| Indicador | Cotação |
|---|---|
| Petróleo Brent | US$ 92,19 (-0,98%) |
| Minério de Ferro | US$ 101,50 (+0,04%) |
| Soja (Chicago) | Estável |
| Milho (Chicago) | Leve pressão |
| Dólar | Monitorado pelo mercado |
| Fertilizantes | Atenção ao Oriente Médio |
| Frete Internacional | Risco moderado |
| Pecuária | Mercado firme nas exportações |
Fonte: B3/Ibovespa
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