Petróleo recua e melhora o humor dos mercados internacionais

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Suspensão de novos ataques dos Estados Unidos ao Irã e aumento da oferta pela Opep+ reduzem a pressão sobre a energia, favorecem as bolsas e aliviam os juros dos títulos americanos.

Os mercados iniciam agosto com algum alívio. Os contratos futuros do petróleo recuam mais de 4% nesta segunda-feira (3), depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender um ataque planejado contra o Irã e sinalizar a retomada das negociações com Teerã.

A decisão reduziu, ao menos momentaneamente, o prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações da commodity. O mercado também reagiu ao anúncio da Opep+, que aprovou um aumento de 188 mil barris por dia na produção a partir de setembro.

O Brent era negociado a US$ 83,79 por barril, com queda de 4,71% por volta das 7h27. Apesar do recuo, o petróleo ainda acumula forte valorização depois de um mês de julho marcado pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelas dificuldades de circulação de navios no Estreito de Ormuz.

Diplomacia reduz tensão, mas cenário ainda exige cautela

A suspensão do ataque americano alimentou a expectativa de que Estados Unidos e Irã consigam construir um acordo envolvendo o programa nuclear iraniano e a reabertura segura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo.

Trump afirmou que países da região pediram mais tempo para uma solução diplomática. O Irã, entretanto, não confirmou formalmente que as negociações já estejam em andamento. Portanto, o movimento desta segunda-feira representa mais uma redução temporária do risco do que uma solução definitiva para o conflito.

Qualquer novo ataque, interrupção no transporte marítimo ou fracasso nas conversas poderá devolver volatilidade ao petróleo e às bolsas globais.

Petróleo mais barato ajuda a conter os juros americanos

A queda do petróleo também melhora o comportamento do mercado de títulos dos Estados Unidos. Combustíveis mais baratos podem reduzir a pressão inflacionária e diminuir a necessidade de uma resposta mais dura do Federal Reserve.

Na semana passada, os rendimentos dos títulos americanos de longo prazo avançaram após declarações do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, ampliarem as dúvidas sobre a estratégia da instituição para reconduzir a inflação à meta de 2%.

Agora, parte dessa pressão perde força. O petróleo mais barato não resolve sozinho o problema inflacionário americano, mas pode proporcionar algum tempo ao Fed e reduzir o custo econômico de uma eventual elevação dos juros.

Bolsas de Nova York iniciam a semana em alta

O ambiente menos tenso favorece os futuros das bolsas americanas. O S&P 500, o Nasdaq e o Dow Jones iniciaram a segunda-feira em alta, mesmo diante de uma agenda econômica mais fraca.

O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha as principais ações brasileiras, também registrava valorização. O movimento ocorre depois do bom desempenho dos ativos brasileiros em julho e indica uma abertura potencialmente positiva para o Ibovespa.

Empresas mais dependentes de energia e transportes podem se beneficiar do petróleo mais barato. Em sentido contrário, Petrobras e outras companhias do setor petrolífero poderão enfrentar pressão, caso a queda da commodity se intensifique durante o pregão.

Mercado brasileiro aguarda Focus e decisão do Copom

No Brasil, o primeiro destaque da semana é o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta manhã. O documento reúne as projeções do mercado financeiro para inflação, juros, crescimento econômico e câmbio.

A atenção, entretanto, já está voltada para a reunião do Comitê de Política Monetária, marcada para terça e quarta-feira. Parte do mercado passou a considerar a possibilidade de redução de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,25% ao ano, embora ainda não haja consenso entre os analistas.

A semana também será marcada por balanços corporativos importantes. Itaú, Bradesco e Petrobras divulgarão seus resultados nos próximos dias, ajudando a definir o comportamento do Ibovespa no início de agosto.

Agenda econômica e corporativa

HorárioEvento
8h25Divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central
Após o fechamentoBalanço da BB Seguridade
Após o fechamentoBalanço da ISA Energia
Após o fechamentoBalanço da Marcopolo
Terça e quarta-feiraReunião do Copom
Ao longo da semanaResultados de Itaú, Bradesco e Petrobras

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500+0,52%
Futuros do Nasdaq+0,44%
Futuros do Dow Jones+0,74%
EWZ – Brasil em Nova York+0,14%

Dados registrados às 7h24.

Europa

MercadoVariação
Euro Stoxx 50+1,04%
Londres – FTSE 100-0,08%
Frankfurt – DAX+1,41%
Paris – CAC 40+1,31%

Dados registrados às 7h25.

Ásia

MercadoVariação
China – CSI 300-0,98%
Hong Kong – Hang Seng+0,48%
Japão – Nikkei-0,94%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent-4,71%US$ 83,79 por barril
Minério de ferro-2,01%US$ 93,95

Dados registrados às 7h27.

Fontes: Reuters/ Banco Central/Associated Press/ Ibovespa

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