Petróleo caminha para segunda semana de alta e mantém inflação global no radar

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Bolsas internacionais avançam nesta sexta-feira, mas a valorização do petróleo e a pressão sobre os juros dos títulos americanos limitam o otimismo dos investidores.

Os mercados internacionais iniciam esta sexta-feira, 21 de agosto, com viés positivo, apoiados pela alta dos futuros das bolsas americanas e pelo avanço moderado dos principais índices europeus. O movimento, no entanto, não elimina a cautela provocada pela escalada do petróleo, pelas tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo comportamento dos juros dos títulos públicos americanos.

Os contratos futuros do S&P 500, Nasdaq e Dow Jones operavam em alta no início da manhã. O EWZ, fundo negociado em Nova York que reúne ações brasileiras, também avançava, antecipando uma possível abertura positiva para o Ibovespa.

A melhora do humor ocorre em meio a uma acomodação pontual das cotações do petróleo, depois de cinco sessões consecutivas de valorização. Ainda assim, o Brent permanece próximo de US$ 94 por barril e caminha para completar a segunda semana seguida de alta.

Mais do que o preço desta sexta-feira, é a persistência do movimento que preocupa. O petróleo mais caro pressiona custos de transporte, combustíveis, fertilizantes, energia e produção industrial, podendo alimentar a inflação em diferentes economias e dificultar a redução dos juros pelos bancos centrais.

Estados Unidos ampliam pressão sobre o Irã

A valorização do petróleo está diretamente relacionada à escalada das tensões entre Washington e Teerã. O governo dos Estados Unidos prepara um novo pacote de sanções econômicas contra o Irã, com medidas destinadas a restringir ainda mais as exportações iranianas e punir países e empresas que continuarem negociando com o regime.

A redução da oferta iraniana já começa a ser percebida no mercado asiático. As exportações do país teriam caído para aproximadamente 534 mil barris por dia em agosto, diante de uma média de 1,4 milhão de barris diários em 2025. A China, principal compradora do petróleo iraniano, procura alternativas em fornecedores como Brasil e Iraque.

Os Estados Unidos indicam que os detalhes da nova ofensiva econômica serão apresentados nos próximos dias. Embora a estratégia possa reduzir, no curto prazo, a possibilidade de uma nova ofensiva militar contra Teerã, ela aumenta o risco de interrupções no fluxo de petróleo do Oriente Médio.

Petróleo alto muda a conta dos juros

A alta da commodity traz novamente a inflação para o centro das decisões de investimento. Se o petróleo permanecer acima de US$ 90 por um período prolongado, os bancos centrais poderão encontrar mais dificuldades para flexibilizar suas políticas monetárias.

Nos Estados Unidos, investidores também acompanham a atuação do Tesouro no mercado de títulos públicos. O órgão ampliou as operações de recompra de papéis de longo prazo numa tentativa de melhorar a liquidez e conter a elevação dos rendimentos.

A intervenção, entretanto, não resolve a preocupação estrutural com a dívida pública americana, que já ultrapassou US$ 40 trilhões. Juros elevados nos títulos do Tesouro aumentam a atratividade dos ativos americanos e podem reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes.

As bolsas dos Estados Unidos tentam reagir nesta sexta-feira, mas ainda acumulam perdas na semana.

Brasil pode ter apoio das commodities

No Brasil, a alta do EWZ e o avanço dos futuros americanos oferecem uma indicação favorável para a abertura do Ibovespa. Petrobras poderá continuar recebendo suporte do petróleo, enquanto a valorização do minério de ferro tende a beneficiar Vale e empresas ligadas à mineração.

Na quinta-feira, o Ibovespa encerrou praticamente estável, com avanço de 0,06%, aos 167.927 pontos. O dólar comercial subiu 0,32% e fechou cotado a R$ 5,193. A Petrobras ajudou a conter as perdas da Bolsa, com valorização de 2,81%, impulsionada pelo petróleo.

O efeito da alta do petróleo sobre o mercado brasileiro, porém, não é inteiramente positivo. Se, por um lado, a valorização favorece Petrobras e empresas do setor, por outro aumenta a preocupação com combustíveis, inflação e juros.

A agenda econômica doméstica é relativamente fraca. O noticiário político deve ganhar espaço com a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial, a primeira realizada após o registro oficial das candidaturas. O levantamento também apresenta cenários eleitorais em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Distrito Federal.

Agenda econômica e política

HorárioEvento
8h30Dario Durigan concede entrevista à Rádio Metrópole, da Bahia
11hZona do euro divulga a prévia da confiança do consumidor de agosto
18h30Presidente Lula participa de sabatina no SBT
18h40Divulgação e análise da nova pesquisa eleitoral Datafolha

Horários de Brasília.

Mercados internacionais

Estados Unidos — futuros

ÍndiceVariação
S&P 500+0,32%
Nasdaq+0,64%
Dow Jones+0,30%
EWZ – Brasil+0,64%

Dados às 7h22.

Europa

MercadoÍndiceVariação
Zona do euroEuro Stoxx 50+0,32%
LondresFTSE 100-0,01%
FrankfurtDAX+0,27%
ParisCAC 40+0,07%

Dados às 7h23.

Ásia

MercadoÍndiceVariação
ChinaCSI 300+0,57%
Hong KongHang Seng+1,21%
JapãoNikkei 225-0,30%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent+0,32%US$ 94,08 por barril
Minério de ferro+0,25%US$ 95,85

Dados às 7h24. As cotações podem mudar ao longo do pregão.

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