Crop Tour testa as projeções para soja e milho, enquanto trigo, café, boi gordo e custos de produção ampliam a atenção dos produtores.
O agronegócio inicia a semana com as atenções divididas entre o clima nos Estados Unidos, o comportamento das exportações e os riscos associados à formação de um El Niño forte. Nesta segunda-feira (17), começa o Pro Farmer Crop Tour, levantamento de campo que percorrerá regiões produtoras norte-americanas para avaliar as condições das lavouras de soja e milho.
Mais de 100 técnicos e produtores devem visitar cerca de 2 mil propriedades em sete estados. As informações recolhidas até quinta-feira (20) ajudarão o mercado a verificar se as estimativas oficiais de produção estão compatíveis com a realidade encontrada nas lavouras.
A semana também terá inspeções de exportação dos Estados Unidos, dados sobre o esmagamento de soja, atualização das condições das lavouras norte-americanas, custos de produção em Mato Grosso e uma nova estimativa da Conab para a safra brasileira de cana-de-açúcar.
Soja aguarda confirmação das condições das lavouras
A soja começa a semana próxima de US$ 12 por bushel em Chicago. O mercado tenta equilibrar a perspectiva de uma produção elevada nos Estados Unidos com a demanda internacional, especialmente da China, e os riscos climáticos durante a fase final de desenvolvimento das lavouras.
No relatório de agosto, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu a estimativa de produtividade da soja norte-americana, mas elevou a área plantada. Para o Brasil, a projeção da safra 2026/2027 foi mantida em 186 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 118 milhões.
A combinação de uma grande oferta brasileira com a expectativa de boa produção nos Estados Unidos limita movimentos mais intensos de alta. Por outro lado, qualquer frustração identificada pelo Crop Tour poderá aumentar a volatilidade dos contratos em Chicago.
No mercado brasileiro, dólar, prêmios nos portos e retração dos produtores continuam fundamentais para a formação dos preços. Mesmo com uma oferta elevada, vendedores pouco dispostos a negociar em momentos de baixa ajudam a sustentar as cotações internas.
Milho enfrenta oferta brasileira e estoques menores nos Estados Unidos
O milho permanece pressionado pelo avanço da colheita da segunda safra brasileira. O Indicador Esalq/B3 encerrou a sexta-feira (14) em R$ 66,35 por saca de 60 quilos, com alta diária de 0,39%.
Apesar do volume disponível, o mercado interno apresenta poucos negócios. Parte dos consumidores está abastecida, enquanto produtores evitam vender em patamares considerados pouco remuneradores.
Nos Estados Unidos, o USDA elevou a projeção da produção para 406,75 milhões de toneladas, compensando a redução da produtividade com o aumento da área plantada e colhida. Os estoques finais, entretanto, foram reduzidos de 45,46 milhões para 41,98 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o departamento manteve a produção de milho em 139 milhões de toneladas e as exportações em 44 milhões. A projeção dos estoques finais brasileiros caiu de 11,1 milhões para 10,1 milhões de toneladas, indicando menor disponibilidade ao final da temporada.
Trigo ganha relevância com redução da safra brasileira
O trigo começa a ganhar espaço entre as principais preocupações do agronegócio. O IBGE estima que a produção brasileira alcance 6,4 milhões de toneladas em 2026, uma redução de 18,6% em relação ao ano anterior.
A menor rentabilidade, os riscos climáticos e a possibilidade de chuvas excessivas no Sul reduziram a disposição dos produtores para ampliar a área plantada. A Região Sul concentra mais de 80% da produção nacional e está especialmente exposta aos efeitos do El Niño.
No exterior, o trigo permanece sustentado pelas incertezas sobre oferta, clima e exportações. A referência internacional chegou a aproximadamente US$ 6,74 por bushel, acumulando valorização expressiva em relação ao ano anterior.
Para o Brasil, uma safra menor pode aumentar a dependência das importações e pressionar os custos da indústria de moagem, com possíveis reflexos sobre farinha, massas e produtos de panificação.
Café vive queda no varejo, mas clima mantém mercado atento
Os contratos futuros do café arábica abriram a semana próximos de 321 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. O mercado acompanha o avanço da colheita brasileira, a qualidade dos grãos e as condições climáticas para o próximo ciclo produtivo.
No Brasil, a projeção do IBGE aponta uma produção próxima de 4 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 14,7% em relação ao ano anterior. A melhora da oferta já começa a aparecer para o consumidor.
O preço do café moído acumulou queda de 17,2% nos 12 meses encerrados em julho, a maior deflação registrada para o produto desde o início do Plano Real. O recuo ocorre depois de uma alta acumulada superior a 80% até maio de 2025.
Apesar do alívio, o cenário permanece sensível. O comportamento das chuvas nos próximos meses será determinante para a florada e para a produção de 2027.
Boi gordo encontra suporte na oferta limitada
O mercado do boi gordo inicia a semana com negociações lentas, mas sustentadas por escalas de abate relativamente curtas e pela resistência dos pecuaristas.
O contrato de agosto encerrou a sexta-feira próximo de R$ 346,10 por arroba na B3. Para setembro, a referência estava ao redor de R$ 348,10.
No mercado físico, frigoríficos de menor porte encontram maior dificuldade para compor escalas, enquanto grandes empresas adotam estratégias diferenciadas conforme a região e a disponibilidade de animais.
O desempenho das exportações continua oferecendo suporte ao setor. Entretanto, a diferença entre os preços praticados no mercado físico e nos contratos futuros exige cautela. A cotação futura representa a expectativa dos agentes e não uma garantia do preço que será recebido pelo produtor.
El Niño altera estratégias antes mesmo de chegar ao campo
A possibilidade de um El Niño forte já influencia decisões de empresas consumidoras de grãos. A MBRF informou que está ampliando a proteção contra eventuais altas da soja e do milho por meio de contratos a termo.
A empresa utiliza os grãos na produção de ração para aves e suínos e procura reduzir sua exposição a oscilações provocadas por seca, calor intenso ou excesso de chuva.
O movimento mostra que o risco climático deixou de ser apenas uma preocupação futura. Ele já interfere nas compras, nos contratos, na gestão dos estoques e no planejamento financeiro das empresas ligadas ao agronegócio.
No Brasil, o fenômeno pode provocar excesso de chuvas no Sul e períodos mais secos e quentes em partes das regiões Norte e Nordeste. A intensidade e a distribuição desses efeitos ainda dependerão da evolução das condições oceânicas e atmosféricas.
Agenda do Agro
| Horário | Indicador ou evento |
|---|---|
| Durante o dia | Início do Pro Farmer Crop Tour nos Estados Unidos |
| 8h25 | Boletim Focus do Banco Central |
| 9h | IBC-Br de junho |
| 12h | Inspeções semanais das exportações dos Estados Unidos — USDA |
| 13h | Dados do esmagamento de soja dos Estados Unidos — Nopa |
| 15h | Balança comercial parcial de agosto |
| 16h | Atualização dos custos de produção em Mato Grosso — Imea |
| 17h | Condições das lavouras dos Estados Unidos — USDA |
Principais referências do mercado
| Produto | Cotação de referência | Mercado |
|---|---|---|
| Soja | Próxima de US$ 12 por bushel | Chicago |
| Milho | R$ 66,35 por saca | Indicador Esalq/B3 |
| Café arábica | Próximo de 321 centavos de dólar por libra-peso | Nova York |
| Café | R$ 403,00 por saca | B3 |
| Boi gordo — agosto | R$ 346,10 por arroba | B3 |
| Boi gordo — setembro | R$ 348,10 por arroba | B3 |
| Trigo | Próximo de US$ 6,74 por bushel | Mercado internacional |
| Açúcar refinado | R$ 2,5283 por quilo | Indicador Cepea/Esalq |
Valores internacionais desta segunda-feira e referências brasileiras do fechamento de sexta-feira (14). As cotações podem mudar durante o pregão.

Fontes: USDA, Pro Farmer Crop Tour, Conab, Notícias Agrícolas e Cepea/Esalq.
SEO
Palavra-chave principal:
Slug:
Meta descrição:
Tags:
















