Investidores iniciam a semana buscando proteção no ouro, enquanto avaliam as medidas do Tesouro americano, as novas sanções contra o Irã e os riscos de inflação e juros elevados.
Os mercados globais iniciam esta segunda-feira (24), em clima de cautela. Os futuros das bolsas de Nova York operam em queda, acompanhando as perdas registradas na Ásia e a estabilidade dos índices europeus. No centro das preocupações estão as intervenções do governo dos Estados Unidos na economia, a escalada das tensões comerciais e a expectativa de uma nova ofensiva financeira contra o Irã.
A tentativa do Tesouro americano de conter os juros de longo prazo por meio da ampliação da recompra de títulos públicos despertou dúvidas sobre o funcionamento do mercado de dívida e a sustentabilidade fiscal dos Estados Unidos. Em vez de tranquilizar completamente os investidores, a iniciativa fortaleceu a procura por ativos de proteção, especialmente o ouro.
Os rendimentos dos títulos americanos continuam elevados. A taxa do Treasury de dez anos chegou a operar próxima de 4,71%, refletindo a desconfiança em relação à inflação, às contas públicas e à capacidade do governo de reduzir artificialmente o custo do financiamento da dívida sem provocar novas distorções.
O movimento é delicado porque interfere diretamente na formação dos juros de longo prazo, usados como referência para empréstimos, financiamentos imobiliários e avaliação de empresas. Quando essa taxa permanece elevada, o crédito fica mais caro e as ações de companhias de crescimento, sobretudo as de tecnologia, tendem a sofrer maior pressão.
Ouro dispara com procura por proteção
O ouro voltou a ganhar força e superou US$ 4.600 por onça, atingindo o maior nível em mais de três meses. O metal acumulou valorização de aproximadamente 5% somente na semana passada, impulsionado pelo dólar mais fraco, pela política de recompra de títulos do Tesouro americano e pelo aumento da procura por segurança. A prata também permanece próxima de US$ 69 por onça.

O avanço dos metais preciosos revela que parte dos investidores está reduzindo a exposição a ativos mais arriscados. A busca por proteção ocorre diante da combinação de inflação resistente, juros elevados, deterioração fiscal e aumento das intervenções políticas nas decisões econômicas dos Estados Unidos.
Sanções contra o Irã elevam risco geopolítico
Outro ponto de atenção será o anúncio do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sobre novas sanções financeiras contra o Irã. A expectativa é de uma ofensiva econômica abrangente, que poderá atingir países, empresas e instituições envolvidas nas relações comerciais com Teerã.
O rial iraniano já atingiu nova mínima histórica diante do dólar. A preocupação dos mercados é que as medidas aumentem a tensão no Oriente Médio e atinjam parceiros comerciais importantes do Irã, especialmente a China.
Apesar do risco geopolítico, o petróleo começa a semana em queda, em um movimento de realização de lucros depois das altas recentes. O Brent recua para a faixa de US$ 92 por barril. O preço, porém, continua elevado e sujeito a forte volatilidade, sobretudo diante das incertezas envolvendo as exportações iranianas e a circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Canadá reage às tarifas americanas
A tensão comercial também ganhou um novo capítulo após o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Canadá. O governo canadense anunciou medidas de reciprocidade diante das tarifas impostas por Washington.
A reação do Canadá amplia o temor de uma fragmentação do comércio internacional e de elevação dos custos para empresas e consumidores. Tarifas e retaliações encarecem matérias-primas, produtos industrializados e cadeias logísticas, alimentando justamente a inflação que os bancos centrais tentam controlar.
O Brasil, que havia sinalizado a possibilidade de retaliação, voltou a abrir espaço para negociações com os Estados Unidos. Essa postura reduz, por enquanto, o risco de um confronto comercial direto, mas mantém exportadores brasileiros atentos às decisões de Washington.
Nvidia e Jackson Hole estarão no centro da semana
A segunda-feira funciona apenas como ponto de partida para uma semana carregada de eventos. Na quarta-feira, a Nvidia divulgará seus resultados trimestrais. O balanço será acompanhado como um teste para a valorização das empresas ligadas à inteligência artificial e para a sustentabilidade dos investimentos realizados em infraestrutura tecnológica.
No fim da semana, o encontro anual de Jackson Hole reunirá dirigentes dos principais bancos centrais. A participação do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, será observada em busca de sinais sobre inflação, juros e independência da autoridade monetária diante das pressões políticas do governo americano. Os resultados da Nvidia e o encontro de Jackson Hole deverão testar os dois principais pilares do mercado: a euforia com a inteligência artificial e a expectativa sobre a política monetária.

Brasil tem Focus e participação de Galípolo
No Brasil, a agenda econômica é mais leve. O Banco Central divulga nesta manhã o Boletim Focus, com as projeções do mercado para inflação, juros, câmbio e crescimento da economia.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa da abertura da Febraban Tech 2026, em São Paulo. O evento acontece de 24 a 26 de agosto e discute inteligência artificial, meios de pagamento, inovação financeira e novas arquiteturas tecnológicas.
Para o mercado brasileiro, a queda das bolsas internacionais pode limitar o apetite por risco. A valorização do minério de ferro, entretanto, poderá oferecer algum suporte às ações da Vale, enquanto a Petrobras deverá acompanhar a volatilidade do petróleo.
Mercados internacionais
Estados Unidos
| Indicador | Variação |
|---|---|
| Futuros do S&P 500 | -0,19% |
| Futuros do Nasdaq | -0,61% |
| Futuros do Dow Jones | -0,05% |
| EWZ — fundo de ações brasileiras em NY | -0,03% |
Dados registrados às 7h33.
Europa
| Mercado | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | -0,05% |
| Londres — FTSE 100 | +0,18% |
| Frankfurt — DAX | +0,04% |
| Paris — CAC 40 | -0,02% |
Dados registrados às 7h34.
Ásia
| Mercado | Fechamento |
|---|---|
| CSI 300 — China | -1,21% |
| Hang Seng — Hong Kong | -1,89% |
| Nikkei — Japão | -0,74% |
As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em queda. Além dos recuos na China, em Hong Kong e no Japão, o Kospi sul-coreano caiu 3,12%, pressionado pelas ações de tecnologia. UOL Economia
Commodities
| Produto | Variação | Cotação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | -1,77% | US$ 92,72 por barril |
| Minério de ferro | +2,09% | US$ 97,70 por tonelada |
Dados registrados às 7h35.
Agenda econômica e política
| Horário | Evento |
|---|---|
| 8h | Dario Durigan grava entrevista para o Broadcast/Estadão sobre a campanha eleitoral |
| 8h25 | Banco Central publica o Boletim Focus |
| 10h | Gabriel Galípolo participa da abertura da Febraban Tech |
| 15h | Reunião do Conselho Monetário Nacional |
| 15h | Scott Bessent concede coletiva sobre as novas sanções contra o Irã |
| 18h | Flávio Bolsonaro participa de reunião da diretoria da Fiesp |
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