Mercado acompanha vendas do comércio no Brasil e inflação ao produtor nos Estados Unidos; futuros de Wall Street avançam, enquanto o petróleo recua
O mercado financeiro inicia esta quinta-feira, 13 de agosto, dividido entre a perspectiva de juros elevados por mais tempo e os sinais de perda de força da atividade econômica. No Brasil, as atenções estão voltadas para o desempenho do comércio varejista em junho. Nos Estados Unidos, o principal indicador do dia será a inflação ao produtor.
A Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada às 9h pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ajudará a medir os efeitos do endividamento das famílias, da inadimplência e da restrição ao crédito sobre o consumo.
Depois de uma queda de 1,5% em abril, o volume de vendas do varejo brasileiro apresentou avanço de apenas 0,1% em maio. O resultado ficou abaixo das expectativas e não foi suficiente para compensar a perda registrada no mês anterior.
Esse movimento reforça a percepção de que o consumo começa a encontrar limites. Com juros altos, renda comprometida e bancos mais seletivos na concessão de financiamentos, as famílias tendem a adiar compras de maior valor, especialmente de móveis, eletrodomésticos, veículos e materiais de construção.
O dado de junho mostrará se o varejo conseguiu alguma recuperação ou se a desaceleração ganhou força. Mais do que um retrato do comércio, o indicador será interpretado como um termômetro da atividade econômica brasileira no início do segundo semestre.
Inflação ao produtor testa otimismo em Wall Street
Nos Estados Unidos, investidores aguardam a divulgação do Índice de Preços ao Produtor, o PPI, referente a julho. O indicador mede a evolução dos preços no atacado e pode antecipar pressões que posteriormente chegam ao consumidor.
A expectativa é de avanço mensal de aproximadamente 0,2% no índice cheio, depois da queda de 0,3% registrada em junho. Para o núcleo do PPI, que exclui componentes mais voláteis, a projeção é de alta de 0,3%.
O dado será conhecido depois de a inflação ao consumidor norte-americano avançar 0,1% em julho e desacelerar para 3,4% no acumulado de 12 meses. O núcleo do CPI ficou em 2,5% na comparação anual.
A combinação de inflação mais moderada e enfraquecimento do mercado de trabalho reduziu a possibilidade de uma elevação imediata dos juros pelo Federal Reserve. Parte dos investidores passou a projetar uma eventual alta somente para o fim do ano, embora o cenário continue sujeito aos próximos indicadores.
Essa mudança de expectativa sustenta os futuros das bolsas norte-americanas. Às 7h25, o S&P 500 avançava 0,17%, o Nasdaq subia 0,07% e o Dow Jones ganhava 0,20%.
Bolsa brasileira tenta interromper sequência negativa
No Brasil, o cenário permanece mais delicado. O Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, completando o sétimo pregão consecutivo no campo negativo. O dólar terminou cotado próximo de R$ 5,18.
A saída de recursos estrangeiros, as incertezas fiscais e políticas e a manutenção dos juros em patamares elevados continuam reduzindo o apetite por ativos brasileiros.
O EWZ, fundo negociado em Nova York que acompanha uma carteira de ações brasileiras, operava perto da estabilidade nesta manhã, com baixa de 0,01%. O movimento indica uma abertura ainda sem direção clara para a B3.
A agenda corporativa também será intensa. Entre os balanços previstos estão os de Nubank, Stone, Cemig, Braskem, Azul, Raízen, CPFL Energia, Cyrela, IRB, M. Dias Branco e Grupo Mateus.
Agenda econômica
| Horário | Indicador ou evento |
|---|---|
| 6h | Produção industrial da zona do euro referente a junho |
| 9h | Pesquisa Mensal de Comércio de junho |
| 9h | Levantamento Sistemático da Produção Agrícola |
| 9h30 | Inflação ao produtor dos Estados Unidos — PPI de julho |
| 9h30 | Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA |
| 14h30 | Gabriel Galípolo participa da abertura do evento de 30 anos do FGC |
| 16h15 | Distrito Federal e União participam de conciliação no STF sobre o BRB |
| Durante o dia | Divulgação de pesquisa eleitoral PoderData |
Futuros de Wall Street
| Índice | Variação |
|---|---|
| S&P 500 | +0,17% |
| Nasdaq | +0,07% |
| Dow Jones | +0,20% |
| EWZ | -0,01% |
Dados apurados às 7h25.
Mercados internacionais
Estados Unidos
Os futuros operam em alta moderada antes da divulgação do PPI. O mercado tenta confirmar se a desaceleração observada na inflação ao consumidor também está presente nos preços cobrados pelos produtores.
Europa
| Índice | Variação |
|---|---|
| Euro Stoxx 50 | +0,56% |
| FTSE 100 — Londres | -0,24% |
| DAX — Frankfurt | +0,52% |
| CAC 40 — Paris | +0,26% |
Dados apurados às 7h27.
A produção industrial da zona do euro também integra o radar dos investidores. As bolsas apresentam desempenho majoritariamente positivo, com exceção de Londres.
Ásia
| Índice | Variação |
|---|---|
| CSI 300 — China | -0,57% |
| Hang Seng — Hong Kong | -0,17% |
| Nikkei — Japão | +1,16% |
As bolsas asiáticas encerraram sem direção única. As ações chinesas recuaram, enquanto o mercado japonês avançou, sustentado principalmente pelo setor de tecnologia.
Commodities
| Produto | Variação | Cotação |
|---|---|---|
| Petróleo Brent | -1,47% | US$ 87,67 por barril |
| Minério de ferro | -0,05% | US$ 95,55 |
Dados apurados às 7h28.
O petróleo devolve parte das altas recentes, mas continua sujeito à elevada volatilidade provocada pelas tensões no Oriente Médio e pelas negociações envolvendo a circulação pelo Estreito de Hormuz. A Agência Internacional de Energia e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo também reduziram suas projeções para a demanda mundial.
Balanços corporativos
Antes da abertura: Bradespar, JHSF e Banrisul.
Após o fechamento: Stone, Nubank, Braskem, Cemig, MBRF, Azul, CPFL Energia, Cyrela, IRB, Raízen, Yduqs, 3tentos, Compass, Even, Fertilizantes Heringer, Light, M. Dias Branco, Petz Cobasi e Grupo Mateus.

Fontes: IBGE/ UOL/Ibovespa/Veja
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