Milho e trigo ganham suporte após USDA reduzir estimativas de produtividade

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Soja realiza ajustes diante da perspectiva de produção recorde nos Estados Unidos, enquanto IBGE projeta safra brasileira de 353 milhões de toneladas

O mercado agrícola inicia esta quinta-feira (13), assimilando as novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para a safra 2026/2027. O relatório mensal de oferta e demanda, conhecido como Wasde, trouxe números distintos para as principais culturas e provocou ajustes nas cotações internacionais.

O milho recebeu sustentação depois de o USDA reduzir a estimativa de produtividade das lavouras norte-americanas de 183 para 180,7 bushels por acre. A revisão foi mais intensa do que a esperada pelos analistas, que projetavam rendimento médio de 182,5 bushels.

Apesar da queda na produtividade, o aumento da área a ser colhida levou o departamento a estimar uma produção de 16,013 bilhões de bushels, equivalente a aproximadamente 407 milhões de toneladas. O volume ainda representaria a segunda maior safra de milho da história dos Estados Unidos.

O mercado de trigo também ganhou suporte. O USDA estima produção norte-americana próxima de 1,53 bilhão de bushels, menor volume desde 1970, com produtividade calculada em 47,8 bushels por acre.

Soja sente peso da oferta norte-americana

A soja apresenta movimento mais cauteloso depois de o USDA elevar a estimativa de produção dos Estados Unidos para aproximadamente 4,52 bilhões de bushels, ou cerca de 123 milhões de toneladas.

A produtividade foi ligeiramente reduzida, de 53 para 52,7 bushels por acre, mas o aumento da área colhida compensou a revisão e manteve a perspectiva de uma oferta elevada.

Após os fortes movimentos provocados pela divulgação do relatório, os contratos mais negociados da soja realizavam ajustes em Chicago nesta manhã. Às 10h, o vencimento de novembro recuava 3,25 pontos, cotado a US$ 11,80 por bushel.

A demanda pelo grão norte-americano, o ritmo das exportações, o uso de óleo de soja para biocombustíveis e as condições climáticas durante a fase final de desenvolvimento das lavouras permanecem no radar.

Para o produtor brasileiro, a cotação em Chicago representa apenas uma parte da formação do preço. Câmbio, prêmios nos portos, disponibilidade regional e ritmo de comercialização continuam determinantes para os valores pagos no mercado interno.

Brasil pode colher 353 milhões de toneladas

O IBGE elevou para 353 milhões de toneladas sua estimativa para a produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026. O volume representa crescimento de 2% em comparação com a safra de 2025.

A soja deverá alcançar o recorde de 174,9 milhões de toneladas, avanço de 5,3%. Para o milho, a projeção é de 141,8 milhões de toneladas, praticamente estável em relação ao ano anterior.

A primeira safra de milho deverá atingir 29,9 milhões de toneladas, com crescimento de 16,4%. A segunda safra foi estimada em 111,9 milhões de toneladas, recuo de 3,6%.

O Centro-Oeste permanece como o principal polo produtivo do país, com estimativa de 178,1 milhões de toneladas, equivalentes a 50,5% da produção nacional. Mato Grosso responde sozinho por 32,1% do total brasileiro.

Trigo brasileiro acende sinal de alerta

O trigo é o ponto mais preocupante do levantamento. O IBGE estima produção de 6,4 milhões de toneladas, queda de 18,6% em relação a 2025.

A área destinada ao cereal deverá diminuir 19,3%. O recuo reflete os riscos climáticos associados ao fortalecimento do El Niño, os custos de produção e a cautela dos agricultores depois de sucessivas dificuldades de qualidade e comercialização.

A Região Sul concentra aproximadamente 80% da produção brasileira. Uma colheita menor aumenta a necessidade de importações e pode exercer pressão sobre os custos da indústria de moagem e, mais adiante, sobre os preços da farinha, do pão e das massas.

O cenário internacional também oferece sustentação. Além da menor produção norte-americana, o bloqueio russo aos portos da Ucrânia voltou a afetar o escoamento pelo Mar Negro. A Ucrânia é fornecedora relevante de milho e trigo para mercados da África, da Europa e do Oriente Médio.

Milho avança no mercado físico brasileiro

No Brasil, o Indicador Esalq/B3 do milho encerrou a quarta-feira cotado a R$ 66,15 por saca de 60 quilos, alta de 0,76%.

Nesta quinta-feira, porém, o contrato de setembro negociado na B3 recuava 0,34%, a R$ 70,10 por saca, em um movimento de realização após a repercussão inicial do relatório norte-americano.

A sustentação do cereal dependerá do ritmo de venda dos produtores, da demanda por ração e etanol e do desempenho das exportações. A menor produtividade norte-americana cria apoio externo, mas a oferta brasileira continua elevada.

Boi gordo encontra suporte nos futuros

O contrato de agosto do boi gordo avançava 0,11% na B3, negociado a R$ 349,80 por arroba por volta das 10h.

No mercado físico, a média apurada na quarta-feira estava em R$ 349,71 por arroba em Minas Gerais, praticamente estável. Em São Paulo, o valor médio era de R$ 345,01, com queda de 0,72%.

O comportamento das escalas dos frigoríficos e a oferta de animais terminados continuam definindo os movimentos de curto prazo. As exportações oferecem sustentação, mas o consumo doméstico ainda limita repasses mais intensos.

Café opera sem direção única

O mercado do café iniciou o dia dividido. Na B3, o contrato de setembro avançava 0,15%, cotado a US$ 407,55. Em Nova York, o arábica para setembro recuava 0,78%, a 337,45 centavos de dólar por libra-peso.

No mercado físico, o Indicador Cepea/Esalq do café robusta encerrou a quarta-feira em R$ 1.077,11 por saca, queda de 0,90%.

A proximidade do encerramento da colheita brasileira aumenta a disponibilidade do produto, enquanto o clima, o câmbio e a oferta global continuam sustentando a volatilidade.

Açúcar avança, enquanto petróleo recua

O açúcar para outubro subia 0,73% em Nova York, cotado a 16,54 centavos de dólar por libra-peso.

O petróleo Brent, por outro lado, recuava aproximadamente 1,5%, para perto de US$ 87,70 por barril. A queda reduz momentaneamente o apoio às commodities ligadas aos biocombustíveis, principalmente açúcar, milho e óleo de soja.

As tensões no Estreito de Hormuz, entretanto, mantêm elevado o risco de novas oscilações no mercado de energia.

Cotações do agro

Bolsa de Chicago

ProdutoContratoCotaçãoVariação
Sojanovembro de 2026US$ 11,80/bushel-3,25 pontos
Milhoreferência pós-WasdeUS$ 4,74/bushel+2,9% na reação ao relatório
Trigoreferência pós-WasdeUS$ 6,49/bushel+2,9% na reação ao relatório

Mercado brasileiro

ProdutoContrato ou referênciaCotaçãoVariação
Milho B3setembro de 2026R$ 70,10/saca-0,34%
Café B3setembro de 2026US$ 407,55+0,15%
Boi gordo B3agosto de 2026R$ 349,80/@+0,11%
Milho físico Cepea12 de agostoR$ 66,15/saca+0,76%
Boi gordo em Minas Gerais12 de agostoR$ 349,71/@-0,04%
Café robusta Cepea12 de agostoR$ 1.077,11/saca-0,90%
Trigo no Paraná12 de agostoR$ 74,81/saca+0,04%

Nova York

ProdutoContratoCotaçãoVariação
Café arábicasetembro de 2026337,45 cents/lb-0,78%
Açúcaroutubro de 202616,54 cents/lb+0,73%
Algodãooutubro de 202681,78 cents/lb-1,72%
Suco de laranjasetembro de 2026139,25 cents/lb+0,72%

Valores atualizados entre 10h e 10h07 desta quinta-feira, conforme disponibilidade das fontes.

Fontes: USDA/ Wall Street Journal/ UOL/B3

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