Tesouro dos EUA intervém nos títulos públicos para conter juros de longo prazo

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Ampliação das recompras traz alívio momentâneo aos mercados, mas não elimina as preocupações com a dívida americana, a inflação e os efeitos econômicos da guerra contra o Irã

Os mercados internacionais iniciam esta quinta-feira, 20 de agosto, divididos entre o alívio provocado pela intervenção do Tesouro dos Estados Unidos no mercado de títulos públicos e a permanência das preocupações com o quadro fiscal americano. Na Europa, as bolsas recuam, enquanto os índices asiáticos encerraram o pregão majoritariamente em alta. O petróleo Brent avança mais de 2% e volta a se aproximar de US$ 94 por barril.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a ampliação das operações de recompra dos títulos de longo prazo, em uma tentativa de melhorar a liquidez e conter a escalada dos juros. A partir de 9 de setembro, o limite das recompras de papéis com vencimentos entre dez e 30 anos passará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.

A medida foi adotada depois que o rendimento dos títulos de 30 anos atingiu 5,34% ao ano, maior patamar desde 2007. Após o anúncio, a taxa recuou para perto de 5,18%, mas voltou a subir nesta manhã, indicando que o alívio ainda é frágil. O movimento do Tesouro poderá reduzir temporariamente a pressão sobre o custo do crédito, mas não resolve as causas estruturais que provocaram a alta dos juros.

O próprio Tesouro dos Estados Unidos definiu a medida como uma ampliação das operações destinadas a dar liquidez aos títulos de longo prazo. Segundo a Reuters, o volume de cada operação continuará pequeno diante da dimensão do mercado americano de dívida pública.

Dívida, inflação e guerra pressionam os juros

A escalada dos rendimentos reflete uma combinação de fatores. A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões, ampliando a preocupação dos investidores com a capacidade do governo de controlar seus déficits e financiar suas despesas.

Os cortes de impostos promovidos pelo governo Donald Trump aumentaram o desequilíbrio fiscal, enquanto a expansão dos investimentos em inteligência artificial elevou a demanda por financiamento. Soma-se a isso o impacto inflacionário da guerra contra o Irã, especialmente sobre petróleo, combustíveis, transportes e custos industriais.

Nesse ambiente, os investidores exigem remuneração maior para financiar o governo americano por períodos mais longos. O problema é que os títulos do Tesouro funcionam como referência para hipotecas, empréstimos empresariais e diversos contratos financeiros. Quando seus rendimentos sobem, o custo do dinheiro aumenta em praticamente toda a economia.

A intervenção comandada por Bessent trouxe algum alívio, mas também levantou dúvidas sobre os limites entre a atuação do Tesouro e a condução da política monetária pelo Federal Reserve. As recompras afetam justamente os prazos que influenciam o custo de financiamento das empresas e das famílias.

Mercado brasileiro encontra alívio parcial

Para o Brasil, a redução dos juros americanos de longo prazo tende a ser positiva. Rendimentos menores nos Estados Unidos diminuem a atratividade relativa dos títulos americanos e podem favorecer o ingresso de recursos em mercados emergentes.

Na quarta-feira, o Ibovespa interrompeu a sequência de quedas e avançou 0,90%. Nesta manhã, o EWZ — fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras — registrava alta de 0,41%, mesmo com os futuros americanos próximos da estabilidade.

O ambiente externo, entretanto, continua volátil. A valorização do petróleo pode beneficiar Petrobras e empresas relacionadas ao setor, mas também aumenta os riscos inflacionários e dificulta a redução dos juros pelas principais economias.

No Brasil, o custo da dívida e a necessidade de ajuste nas contas públicas continuam no radar. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista nesta manhã, enquanto investidores acompanham eventuais sinalizações sobre controle de despesas, trajetória fiscal e financiamento da dívida brasileira.

Walmart mede a força do consumo americano

A agenda econômica desta quinta-feira tem como destaque o balanço do Walmart. A maior varejista do mundo funciona como um importante termômetro do consumo nos Estados Unidos, especialmente em um período de inflação elevada e perda de poder de compra das famílias.

O mercado também acompanha os pedidos semanais de auxílio-desemprego, que ajudarão a avaliar a resistência do mercado de trabalho americano. No Brasil, o Banco Central divulga a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito, com informações sobre oferta, demanda e critérios adotados pelos bancos na concessão de financiamentos. A divulgação consta do calendário oficial do Banco Central.

Agenda econômica

HorárioIndicador ou evento
Antes da aberturaDivulgação do balanço trimestral do Walmart
7h30Entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à CBN
9h30Estados Unidos divulgam os pedidos semanais de auxílio-desemprego
14h30Banco Central publica a Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito
18hReunião do Conselho Monetário Nacional — CMN

Mercados internacionais

Estados Unidos

IndicadorVariação
Futuros do S&P 500-0,03%
Futuros do Nasdaq+0,12%
Futuros do Dow Jones-0,14%
EWZ — ações brasileiras em Nova York+0,41%

Dados registrados às 7h28.

Europa

BolsaVariação
Euro Stoxx 50-0,23%
Londres — FTSE 100-0,17%
Frankfurt — DAX-0,42%
Paris — CAC 40-0,27%

Dados registrados às 7h29.

Ásia

BolsaVariação
China — CSI 3000,00%
Hong Kong — Hang Seng+0,80%
Japão — Nikkei 225+1,36%

Commodities

ProdutoVariaçãoCotação
Petróleo Brent+2,43%US$ 93,85 por barril
Minério de ferro-0,24%US$ 95,75

Dados registrados às 7h30.

Radar do investidor

📌 Tesouro americano dobra as recompras de títulos de dez a 30 anos para conter a escalada dos juros.

📌 Rendimento dos títulos de 30 anos permanece acima de 5%, apesar do alívio inicial provocado pela intervenção.

📌 Dívida pública superior a US$ 40 trilhões mantém a preocupação com o quadro fiscal dos Estados Unidos.

📌 Petróleo Brent avança mais de 2% com o agravamento das tensões no Oriente Médio.

📌 EWZ sobe e aponta uma abertura relativamente favorável para o mercado brasileiro.

📌 Balanço do Walmart será usado como termômetro do consumo e da inflação americana.

📌 Pesquisa do Banco Central mostrará se os bancos brasileiros endureceram as condições para concessão de crédito.

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