Petróleo sustenta grãos, enquanto restrições chinesas pressionam o boi gordo

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Soja e milho avançam em Chicago com preocupações sobre a safra americana; ataques no Mar Negro elevam o risco para o trigo e a queda das exportações brasileiras de carne limita a recuperação da arroba

O mercado do agronegócio inicia esta quinta-feira (20), com valorização da soja e do milho em Chicago, alta do petróleo e aumento das preocupações com o abastecimento mundial de trigo. No Brasil, o câmbio e a retração dos vendedores ajudam a sustentar os preços dos grãos, enquanto a pecuária enfrenta o impacto da redução das exportações de carne bovina para a China.

A soja mantém parte dos ganhos acumulados nos últimos pregões. O mercado acompanha as estimativas do Pro Farmer Crop Tour, que apontam produtividade abaixo do esperado em áreas de Indiana e Nebraska. As informações aumentaram as dúvidas sobre o potencial da safra dos Estados Unidos, depois de um período de calor e déficit de chuvas no Meio-Oeste.

O óleo de soja também avança, acompanhando a alta do petróleo. Quando o preço da energia sobe, os óleos vegetais ganham suporte pela expectativa de maior competitividade dos biocombustíveis.

Por volta das 7h30, a soja era negociada perto de US$ 12,25 por bushel, com leve alta, enquanto o milho avançava para aproximadamente US$ 4,77 por bushel.

Soja sobe, mas negócios continuam lentos no Brasil

A valorização em Chicago melhora a formação dos preços brasileiros, mas as negociações permanecem limitadas. Produtores evitam ampliar as vendas enquanto aguardam oportunidades melhores nos contratos futuros, no dólar ou nos prêmios dos portos.

No fechamento de quarta-feira, a soja estava cotada a R$ 152,50 por saca em Paranaguá e a R$ 150 em Rio Grande. Em Mato Grosso, os preços variavam entre R$ 124 e R$ 135,50, conforme a localização e o custo do transporte.

A estimativa para a produção brasileira em 2026/2027 é de aproximadamente 181,7 milhões de toneladas, crescimento de apenas 200 mil toneladas na comparação anual. O avanço reduzido reflete margens mais estreitas, custos elevados e uma expansão limitada da área cultivada.

Apesar do crescimento pequeno da produção, o Brasil poderá exportar aproximadamente 114 milhões de toneladas. O comportamento da China, a evolução da safra americana e as relações comerciais entre Pequim e Washington continuarão determinantes para os preços.

Milho avança com petróleo e expectativa de menor produtividade

O milho também opera em alta em Chicago, beneficiado pelo movimento da soja, pela valorização do petróleo e pelas estimativas de produtividade abaixo do esperado em partes dos Estados Unidos.

O consumo brasileiro deverá superar 100 milhões de toneladas em 2026/2027, impulsionado principalmente pela expansão do etanol de milho. O país já possui 29 usinas em operação e outras 27 em fase de projeto.

Esse crescimento muda a dinâmica interna do cereal. Embora o Brasil tenha uma produção estimada em 140,3 milhões de toneladas, o aumento do consumo industrial reduz o excedente disponível e pode oferecer sustentação aos preços.

As exportações brasileiras foram revisadas para aproximadamente 41 milhões de toneladas, diante da concorrência dos Estados Unidos e da Argentina e da redução das compras de alguns importadores, especialmente o Irã.

No mercado físico, a saca estava cotada a R$ 66,95 na região de Campinas, R$ 59,50 em Cascavel, R$ 51 em Campo Grande e entre R$ 47 e R$ 49,50 nas principais praças de Mato Grosso.

Ataques no Mar Negro ameaçam oferta de trigo

O trigo passa a ocupar posição de destaque no mercado internacional. Ataques contra navios, portos e instalações de armazenamento no Mar Negro interromperam embarques e provocaram atrasos e cancelamentos de cargas provenientes da Rússia e da Ucrânia.

Os contratos negociados em Chicago já acumulam valorização superior a 17% desde o início de julho. Países dependentes da região, como Egito e Indonésia, procuram fornecedores alternativos na Argentina, Austrália e América do Norte, mas encontram preços mais elevados.

O Egito, maior importador mundial do cereal, obteve mais de 82% de suas compras da Rússia e da Ucrânia no primeiro semestre. A interrupção das rotas amplia o risco de inflação nos alimentos, especialmente em países que dependem do trigo importado.

Para o Brasil, a valorização internacional pode elevar o custo das importações e sustentar os preços internos, embora a entrada de trigo argentino ainda limite movimentos mais intensos em algumas regiões.

Fim da cota chinesa pressiona exportação de carne bovina

A pecuária brasileira enfrenta um cenário mais delicado. A cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina importada sem tarifa adicional foi preenchida. Acima desse volume, o produto brasileiro passou a enfrentar tributação de 67%, reduzindo sua competitividade.

Na segunda semana de agosto, o Brasil exportou uma média diária de 8,4 mil toneladas, abaixo das 10,5 mil toneladas registradas na semana anterior. O volume também ficou 26% inferior ao observado em agosto de 2025.

A China responde por aproximadamente 45% do volume e 47% da receita das exportações brasileiras de carne bovina. Portanto, qualquer redução das compras chinesas afeta diretamente a formação do preço da arroba e a capacidade dos frigoríficos de alongar as escalas.

Apesar da queda no volume exportado, o preço médio da carne brasileira chegou a US$ 6.140 por tonelada, cerca de 10% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

Na B3, os contratos futuros do boi gordo encerraram quarta-feira em alta. O vencimento de agosto fechou a R$ 348,40 por arroba, enquanto os contratos de outubro e dezembro atingiram R$ 364,15 e R$ 369,40, respectivamente.

Confinamento cresce em Mato Grosso

Mato Grosso deverá confinar 1,33 milhão de bovinos em 2026, aumento de 43,4% em relação às 928,7 mil cabeças registradas no ano passado.

A expansão é favorecida pela redução dos preços de alguns componentes da alimentação animal, especialmente do milho em determinadas regiões. Em sentido contrário, o encarecimento dos animais de reposição e a incerteza sobre o preço futuro da arroba aumentam os riscos da operação.

O crescimento do confinamento poderá ampliar a oferta de animais terminados nos próximos meses. Caso a demanda externa permaneça enfraquecida, essa disponibilidade adicional poderá limitar a valorização do boi gordo.

Café e açúcar acompanham clima e energia

O café arábica opera em ambiente volátil depois das fortes oscilações observadas nesta semana. O contrato para dezembro era negociado próximo de 330 centavos de dólar por libra-peso no início da manhã.

A possibilidade de formação de um El Niño de elevada intensidade aumenta a atenção sobre as condições climáticas. O fenômeno poderá prejudicar a produção de café robusta no Vietnã e na Indonésia, além de provocar alterações no regime de chuvas das regiões produtoras brasileiras.

No açúcar, a alta do petróleo oferece sustentação por tornar o etanol relativamente mais atrativo. O mercado também acompanha a moagem brasileira e os riscos climáticos para Índia e Tailândia.

Mercado internacional de grãos

ProdutoCotação aproximadaMovimento
Soja — ChicagoUS$ 12,25/bushel+0,25%
Milho — ChicagoUS$ 4,77/bushel+0,85%
Óleo de sojaUS$ 0,70/libra-peso+0,64%
Farelo de sojaUS$ 321,00/tonelada+0,66%
Café arábica — dezembro329,90 centavos/libra-peso+0,52%
Petróleo BrentUS$ 93,85/barril+2,43%

Valores aproximados registrados no início da manhã e sujeitos a atualização durante o pregão.

Mercado físico brasileiro

Produto e praçaCotação
Soja — ParanaguáR$ 152,50/saca
Soja — Rio GrandeR$ 150,00/saca
Soja — RondonópolisR$ 135,50/saca
Soja — SorrisoR$ 130,00/saca
Milho — CampinasR$ 66,95/saca
Milho — CascavelR$ 59,50/saca
Milho — Campo GrandeR$ 51,00/saca
Milho — RondonópolisR$ 49,50/saca

Referências do mercado físico de quarta-feira, 19 de agosto.

Boi gordo na B3

ContratoFechamentoVariação
Agosto de 2026R$ 348,40/@+0,10%
Setembro de 2026R$ 355,75/@+0,59%
Outubro de 2026R$ 364,15/@+0,62%
Novembro de 2026R$ 367,40/@+0,99%
Dezembro de 2026R$ 369,40/@+0,68%
Janeiro de 2027R$ 374,50/@+0,42%

Fechamento de quarta-feira, 19 de agosto.

Radar do Agro

📌 Soja sustenta os ganhos com estimativas de produtividade menor em áreas dos Estados Unidos.

📌 Petróleo acima de US$ 93 favorece óleo de soja, milho e matérias-primas destinadas aos biocombustíveis.

📌 Consumo brasileiro de milho deverá superar 100 milhões de toneladas com a expansão das usinas de etanol.

📌 Ataques no Mar Negro ameaçam o abastecimento mundial e mantêm o trigo sob pressão de alta.

📌 Fim da cota chinesa sem tarifa adicional reduz as exportações brasileiras de carne bovina.

📌 Contratos futuros do boi gordo avançam, mas aumento do confinamento e menor demanda externa exigem cautela.

📌 Café e açúcar entram em período de maior volatilidade diante do risco de um El Niño intenso.

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