Conflito entre Israel e Irã volta ao radar global, petróleo dispara e mercados tentam se recuperar após forte correção na última semana.
A semana começa sob forte influência do cenário geopolítico internacional. Os mercados globais monitoram uma nova escalada das tensões no Oriente Médio após a troca de ataques entre Israel e Irã, primeiro episódio de confronto direto desde o anúncio do cessar-fogo ocorrido em abril.
Apesar do agravamento do quadro geopolítico, os investidores demonstram uma postura seletiva. Enquanto as bolsas europeias operam em queda e os mercados asiáticos encerraram o pregão em forte baixa, os índices futuros americanos tentam recuperar parte das perdas registradas na sexta-feira, quando uma reavaliação das expectativas para os juros nos Estados Unidos provocou forte realização de lucros em Wall Street.
A tentativa do presidente Donald Trump de pressionar o governo israelense para conter a escalada militar não produziu os efeitos esperados, aumentando a percepção de que uma solução diplomática para o conflito ainda está distante. O resultado imediato foi uma disparada nos preços do petróleo, refletindo preocupações com a estabilidade do fornecimento global de energia.
O barril do Brent avançava mais de 4% nas primeiras horas desta segunda-feira, aproximando-se novamente da faixa dos US$ 100. O movimento beneficia empresas ligadas ao setor de energia, mas aumenta as preocupações com inflação e política monetária ao redor do mundo.
Bolsas tentam encontrar direção
Nos Estados Unidos, os contratos futuros indicam recuperação parcial após a forte correção da semana passada. O Nasdaq, mais sensível às expectativas sobre juros, lidera a reação, enquanto o Dow Jones apresenta desempenho mais cauteloso.
Na Europa, o clima é de maior aversão ao risco. Investidores acompanham simultaneamente os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e os sinais de desaceleração econômica em algumas das principais economias do continente.
Já na Ásia, o movimento foi predominantemente negativo. As bolsas da China, Hong Kong e Japão registraram quedas expressivas, refletindo a combinação entre tensões geopolíticas, alta do petróleo e preocupações com o crescimento global.
Brasil acompanha cenário externo
No mercado brasileiro, o ambiente continua desafiador. O Ibovespa encerrou a última semana abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro, reduzindo significativamente os ganhos acumulados em 2026.
Nesta manhã, o EWZ — principal ETF que representa as ações brasileiras negociadas em Nova York — operava em queda, sinalizando dificuldades para uma recuperação mais consistente da bolsa brasileira no início dos negócios.
Com uma agenda econômica doméstica relativamente esvaziada, as atenções se concentram na divulgação do Boletim Focus, que traz as expectativas do mercado para inflação, juros, câmbio e crescimento econômico.
Petróleo volta ao centro das atenções
O petróleo volta a ser o principal termômetro de risco dos mercados globais. Além do impacto direto sobre combustíveis e inflação, a alta da commodity influencia decisões de bancos centrais, projeções de crescimento e estratégias de investimento.
Para o Brasil, a valorização do petróleo costuma beneficiar empresas exportadoras e o setor de óleo e gás, mas também pode ampliar pressões inflacionárias internas, especialmente sobre combustíveis e logística.
O início da semana reforça um cenário que tem marcado 2026: mercados cada vez mais sensíveis aos eventos geopolíticos e às expectativas sobre os próximos passos da política monetária americana.
Mercado em números
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Petróleo Brent | ▲ 4,02% |
| Minério de Ferro | ▼ 1,41% |
| Nasdaq Futuro | ▲ 0,67% |
| S&P 500 Futuro | ▲ 0,33% |
| Dow Jones Futuro | ▼ 0,10% |
| Euro Stoxx 50 | ▼ 0,36% |
| Nikkei | ▼ 3,85% |
| CSI 300 | ▼ 2,14% |
| EWZ (Brasil em NY) | Em queda |
| Evento do dia | Boletim Focus |
Fonte: Boletim Focus/B3
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